
(Para ler obrigatoriamente ouvindo ESCONDERIJO – ANA CANÃS)
O mundo anda girando rápido fazendo meus olhos marejarem loucos com o vento que bate suave no meu rosto.
Ainda é difícil aceitar esse rodar, essa solidão nos fins de semana, as dores que doem, os calos que apertam, as pedras que carrego no bolso.
Tudo complicado e eu fico gastando o relógio da cozinha tentando entender o tempo todo como pode ser assim.
Eu que quis tanto ser o mais de boba possível, me fazendo de simples para ganhar o mundo. Vendo nas estrelas uma fuga para minhas dificuldades.Eu que quis tanto que esse tempo chegasse logo e agora que chegou quero logo voltar ao ponto de partida.
Quero voltar a ver minha mãe sorrir pra mim fazendo cócegas na minha barriga, afagando meus cabelos com amor.
Quero as chuvas tranqüilas de inverno, a brincadeira com as bolhas de sabão feitas com meu irmão.
Sinto saudades das tardes que brinquei com as rosas do meu quintal, fazendo casinhas para os tatu bolinhas e tentando falar a língua das formigas.
Rodando e rodando até cair e machucar,e já no chão me perder no azul das nuvens que tecem imagens de coelhos e elefantes em dias ensolarados.
Eu quero a simplicidade de cada dia, conseguir sorrir com os dissabores da vida e ser assim sentimental sem precisar esconder ou ter medo de que alguém faça doer o que em mim é frágil.
Eu quero esse direito de não ter que discutir, brigar, quero a lealdade dos velhos amigos, um colo amigo e sem segundas intenções.
É só isso, não penso querer muito além do que possa me fazer feliz e também as pessoas que eu amo, que são muitas e são parte de mim.
Quando eu penso que toda essa loucura está apenas começando eu sinto medo e choro feito criança no meu quarto com a companhia dos meus sonhos falidos de menina boba.
Eu que quero tão pouco me pego triste e absorta nas memórias e na minha nostalgia necessária.
O Pequeno Príncipe tinha razão : gente grande é tão complicada.
“Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir
Dundarundê aunde iê”
(Ana Canãs – Esconderijo)