terça-feira, 19 de outubro de 2010



As arvores lá fora permaneciam inertes. O vento, seu irmão mais novo, não quis perturbar o sono leve de suas irmãs. Em sintonia, o céu não quis ter cor e continuou cinzeto-arroseado demonstrando que o matreiro do menino vento ainda daria o ar da graça naquela noite.
E nós estamos ali, em meio a toda essa família, deitados no verde da relva deixando os pingos de chuva purgar tudo o que fora adquirido outrora até nos encontrarmos. Permitindo que nossas máculas se fossem junto à água, levando embora nossos pecados e sonhos solitários.
Era como se o peso fosse discretamente distribuído em todos os elementos, como se flutuássemos sobre as gotas de água, sem esforço, nem movimento. Ao mesmo que girávamos como cata-ventos em noites de friagem desfazendo as fronteiras entre nós, agora estreitada, pelo leve toque dos nossos lábios que permaneciam quentes diante de tanta gelidez noturna. Dispersos pelas ruas tão cheias de ninguém nos perdíamos na simplicidade de dois amantes órfãos de felicidade, nos permitíamos assim experimentar sem roteiros, falas, sem planos concebidos por antecipação e naquele instante ainda sem cogitar o fim.
Intensas foram àquelas horas, embora finitas. Restou agora o preto, e o branco.
Com nossa partida no mundo inteiro faltou cor, o viço, a vida. Faltou o céu para testemunhar, o chão para orientar... E no fim já nem restaram linhas e sinceramente já nem sei mais se existe algo.
Tudo vão,
Não.


By, Naykaa_
18/10

Um comentário:

  1. A curiosidade matou o gato...
    ainda bem que não o sou...

    estaria morto agora!!!

    :o

    Jefferson Ferreira

    ResponderExcluir